5 falhas de projeto que aumentam o risco de pleitos e aditivos em concessões rodoviárias

Pleitos e aditivos nem sempre começam durante a execução da obra. Muitas vezes, surgem ainda na fase de projeto, quando informações incompletas, incompatibilidades ou quantitativos inconsistentes deixam dúvidas sobre o escopo, os métodos construtivos e os custos envolvidos.

Nas concessões rodoviárias, esse risco é ampliado pela complexidade contratual, pelas obrigações do Programa de Exploração da Rodovia, pela integração entre diferentes disciplinas e pela necessidade de executar intervenções com a via em operação.

Reduzir Pleitos e aditivos em concessões rodoviárias exige projetos capazes de representar as condições reais do trecho e transformar dados técnicos em soluções claras, compatibilizadas, orçadas e executáveis.

 

O que são Pleitos e como o projeto influencia sua ocorrência?

Um Pleito ocorre quando uma das partes solicita o reconhecimento de impactos técnicos, financeiros ou de prazo relacionados às condições de execução. Essas solicitações podem envolver:

  • Serviços não previstos;
  • Alterações de quantitativos;
  • Interferências desconhecidas;
  • Mudanças de método construtivo;
  • Redução de produtividade;
  • Revisão de projeto;
  • Extensão de prazo;
  • Custos adicionais.

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Nem todo aditivo decorre de uma falha. Empreendimentos de infraestrutura estão sujeitos a mudanças legítimas e situações imprevisíveis. O problema ocorre quando uma inconsistência que poderia ter sido identificada antecipadamente chega à obra e precisa ser solucionada sob pressão de prazo e operação.

 

  1. Levantamentos de campo incompletos ou desatualizados

Topografia, geotecnia, estudos de tráfego, hidrologia, cadastro de interferências e inspeções da infraestrutura existente formam a base do projeto rodoviário. Quando essas informações são insuficientes, podem surgir diferenças entre o cenário projetado e a realidade encontrada na execução, como:

  • Volumes de terraplenagem diferentes dos estimados;
  • Solos com comportamento não previsto;
  • Redes e interferências não cadastradas;
  • Dispositivos de drenagem incompatíveis;
  • Ocupações na faixa de domínio;
  • Necessidade de alterar taludes, acessos ou contenções.

 

Essas situações podem exigir novos serviços, equipamentos, materiais e revisões de prazo. Por isso, o escopo dos levantamentos deve considerar a complexidade da intervenção, a precisão necessária e a atualidade dos dados.

 

  1. Falta de compatibilização entre as disciplinas

Projetos rodoviários envolvem interfaces entre geometria, terraplenagem, drenagem, pavimentação, estruturas, sinalização, iluminação, desapropriações e interferências. Quando essas disciplinas são desenvolvidas de forma isolada, aumentam as chances de conflito. Uma solução de drenagem pode interferir em uma contenção, enquanto uma alteração geométrica pode modificar quantitativos, sinalização e áreas a desapropriar. Os problemas aparecem na obra quando a construtora precisa decidir qual documento seguir ou quando uma revisão em determinada disciplina exige alterações nas demais.

 

  1. Divergências entre projeto, quantitativos e orçamento

O orçamento deve representar integralmente a solução projetada. Para isso, precisa existir correspondência entre desenhos, memórias, especificações, quantidades, distâncias de transporte, composições de custos e método executivo. Entre os problemas mais recorrentes estão:

 

  • Serviços previstos no projeto, mas ausentes na planilha;
  • Quantitativos sem memória de cálculo;
  • Duplicidade de itens;
  • Unidades de medição inadequadas;
  • Distâncias de transporte incompatíveis;
  • Diferenças entre revisões do projeto e do orçamento.

 

Durante a execução, essas divergências podem gerar discussões sobre escopo, responsabilidade, medição e remuneração. A prevenção depende de rastreabilidade. Cada quantidade relevante deve estar relacionada aos documentos técnicos que sustentam seu cálculo. Quando o projeto é alterado, orçamento e cronograma também precisam ser atualizados. A compatibilização precisa acontecer antes da emissão final, com responsabilidades e procedimentos claros para identificar, registrar e resolver interferências.

 

  1. Soluções que desconsideram a construtibilidade e a operação da rodovia

Uma solução pode ser tecnicamente adequada no projeto e ainda apresentar dificuldades de execução. Nas concessões, as obras frequentemente ocorrem com tráfego ativo. Isso cria restrições relacionadas a espaço, horários, sinalização provisória, acesso de equipamentos, segurança e disponibilidade de faixas.

Quando o projeto não considera essas condições, podem ocorrer:

  • Produtividade inferior à prevista;
  • Necessidade de novas etapas;
  • Alteração do plano de tráfego;
  • Mobilizações adicionais;
  • Revisão de equipamentos;
  • Extensão do cronograma.

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A análise de construtibilidade deve envolver projetistas, operação, manutenção, obras e fiscalização. Essa integração ajuda a validar se a solução pode ser executada com segurança e dentro das condições reais do trecho.

 

  1. Escopo, premissas e revisões sem rastreabilidade

Mesmo um projeto tecnicamente consistente pode gerar conflitos quando não existe clareza sobre sua evolução. Premissas não registradas, documentos sem controle de versão, alterações informais e responsabilidades indefinidas dificultam a identificação do que estava previsto em cada etapa.

Uma gestão documental estruturada deve registrar:

  • Critérios adotados;
  • Documentos de referência;
  • Responsáveis técnicos;
  • Comentários e respostas;
  • Versões aprovadas;
  • Alterações de escopo;
  • Impactos em custo e prazo;
  • Tratamento de não conformidades.

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Sem esse histórico, alterações técnicas podem se transformar em discussões contratuais sobre responsabilidade e direito à compensação.

 

Como reduzir Pleitos antes do início da obra?

A prevenção depende de uma revisão integrada do empreendimento. Não basta analisar cada disciplina separadamente. É necessário verificar se o conjunto:

  • Representa a realidade de campo;
  • Atende às obrigações contratuais;
  • Apresenta compatibilidade entre disciplinas;
  • Pode ser executado nas condições da rodovia;
  • Possui orçamento e cronograma coerentes;
  • Mantém rastreabilidade técnica e documental.

 

Conclusão

A Azimute Engenharia atua com Engenharia de Transportes, Topografia de Precisão, Projetos de Infraestrutura e Fiscalização e Supervisão de Obras. Essa integração permite apoiar concessionárias desde a produção dos dados de entrada até o acompanhamento técnico da execução, reduzindo lacunas entre projeto, contratação e obra.

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